Ototoxicidade

     Drogas capazes de trazer prejuízo à função auditiva, podendo diferir no tocante ao mecanismo de ação bem como na reversibilidade das alterações  auditivas após a interrupção do uso de tais drogas.

     Destas drogas, temos:

  • AMINOGLICOSÍDEOS – Drogas direcionadas ao combate de bactérias aeróbias Gram-negativas, inibindo, de forma irreversível, a síntese protéica bacteriana. De forma similar interferem na síntese protéica mitocondrial das células ciliadas da orelha interna. Na orelha interna, os aminoglicosídeos aumentam a formação de radicais livres e, por conseguinte, de óxido nítrico, via que leva à formação de radicais de peroxinitritos. Como resultado, ocorre morte celular por apoptose.  Exemplos desse tipo de drogas  são a Estreptomicina, Kanamicina, Tobramicina, Neomicina, Metilmicina, Gentamicina e Sisomicina.
  • CISPLATINA – Droga com finalidade quimioterapêutica, constituída de complexos metálicos de platina. Atua sobre o DNA de forma a inibir a replicação celular e, portanto, importante na atuação antineoplásica, e utilizada em diferentes tipos de cânceres. Seu mecanismo de ototoxicidade também envolve produção de radicais livres, porém, através da produção de NADPH oxidase e possível redução de níveis de glutationa. O estresse oxidativo gerado por essa via de sinalização, que envolve caspazes, reduz a produção de endolinfa nos capilares da estria vascular, produzindo morte celular apoptótica de células ciliadas internas.
  • DIURÉTICOS – Ototoxicidade conferida pela classe dos diuréticos de alça, especificamente, no segmento ascendente da alça de Henle. Neste ponto é capaz de aumentar significativamente a excreção urinária de diversos íons, tais como, Na+, K+, Cl, Ca2+ e Mg2+, além de água. Seu sítio de ação na orelha interna é a estria vascular, onde interfere no funcionamento da bomba de Na+/K+, contribuindo para diminuição do potencial endococlear. Sugere-se que possam ainda ser capazes de potencializar a ototoxicidade dos antibióticos aminoglicosídeos e da cisplatina, especialmente se tais diuréticos forem administrados após o uso desses fármacos. A furosemida e o ácido etacrínico são os exemplos mais potentes dessa classe de diuréticos.
  • SALICILATOS – Substâncias com ação anti-inflamatória, analgésica e antipirética, mediada por inibição da enzima ciclo-oxigenase, e que, em altas doses, são capazes de interferir na função coclear. Tais substâncias são obtidas a partir da esterificação do ácido salicílico (técnica utilizada na modificação dos grupamentos carboxila ou hidroxila de um ácido, de modo a reduzir sua toxicidade, que, no caso do ácido salicílico, consiste em uma técnica fundamental na redução da agressão deste à mucosa gástrica), resultando no ácido acetilsalicílico ou salicilato de metila, dependendo do reagente utilizado para a reação de esterificação (anidrido acético ou salicilato de metila, respectivamente). O ácido salicílico é derivado da salicina, extraída da casca do salgueiro, e é utilizado a mais de 3 séculos no alívio da dor. No entanto, sua ototoxicidade é pouco conhecida e ainda permanece sob estudo. Mas, conforme aponta portais de busca de periódicos científicos como o PubMed, já são possíveis algumas caracterizações quanto a ototoxicidade de salicilatos sobre a orelha interna e vias neurais auditivas, especialmente no que tange aos aspectos eletrofisiológico, mediado por excitotoxicidade dependente de receptores NMDA, e microvascular, mediado por prostaglandinas.
Anúncios